Geração de valor

cyber_seniors3O diretor Saffron Cassaday resolveu fazer um documentário interessante, filmando um grupo de adolescentes que, voluntariamente, ensinam idosos a usar o computador e as redes sociais.

O projeto chama-se “Cyber Seniors” (em tradução livre, “Idosos Cibernéticos”), e teve início como um projeto de faculdade da irmã do diretor, que tomou conhecimento sobre o mesmo e também se encantou com a proposta do encontro entre gerações.

No trailer do filme, podemos ver idosos aprendendo como usar o Facebook, a fazer as ferramentas básicas do computador e a usar o YouTube, onde inclusive foi criada uma competição entre os idosos, para que eles gravassem vídeos e disputassem quem obteria mais views e comentários.

O resultado é hilário e pode ser visto no vídeo abaixo:

Como surgiram os nomes das maiores empresas do mundo?

Microsoft (1975)
microsoft_sedeQuando Bill Gates decidiu criar a Microsoft pensou em vários nomes que não fossem tão óbvios para uma empresa de software para computador. Ele não achou inicialmente que o nome Microsoft faria sucesso. Quando chegou o tão esperado momento, Paul Allen, co-fundador da empresa, disse: “Bem, o nome óbvio seria Microsoft”. Embora o nome não seja realmente uma abreviação para software de computador, o termo é obviamente derivado dela. “Um dos benefícios de ser o primeiro em um segmento é que você pode reivindicar um nome óbvio”, disse Bill Gates, em entrevista ao jornal New York Times, em 1995. Hoje, a companhia não pode dizer o mesmo. O que não parecia óbvio é que anos depois ela deixaria o posto de líder do setor de tecnologia para uma empresa batizada com o nome de uma fruta.

Apple (1976)
De onde veio a ideia de relacionar tecnologia com uma maçã? Para um gênio como Steve Jobs, as explicações eram muitas. Uma delas seria uma homenagem a Alan Turing, o pioneiro britânico da computação que decifrou os códigos alemães durante a guerra e depois morreu mordendo uma maçã envenenada com cianeto. “Gostaria de ter pensado nisso, mas não”, afirmou Jobs a Walter Isaacson, autor de sua biografia autorizada. Ele chegou a pensar em Matrix e Executek e em nomes desinteressantes como Personal Computer. Mas, por sorte, nenhum deles vingou. Apple chegou à mente de Steve Jobs não por acaso, mas por que a maçã fazia parte de sua dieta à base de frutas. Ele acreditava que com isso evitaria odores corporais e excluiria a necessidade de tomar banho todos os dias – ele só se banhava uma vez por semana. “O nome parecia divertido, espirituoso e não intimidante. Apple tirava a aresta da palavra computador. Além disso, nos poria à frente da Atari na lista telefônica”, afirmou Jobs.

ExxonMobil (1999)
Para entender a origem de seus nomes é preciso antes remontar a história do petróleo nos Estados Unidos, especificamente na Standard Oil. Em 1911, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a companhia se originou de práticas de monopólio ilegal, e a Standard foi obrigada a se dividir em 34 novas empresas. Diante de tantas divisões, como pensar em um bom nome para uma nova companhia? Quando ainda era um monopólio, as pessoas costumavam se referir à Standard Oil como “SO” – cuja pronúncia em inglês é “esso”. O diretor de divisão de patentes e trademark, C.H.Straw, teve a sacada de batizar a nova companhia de Esso. Em 1923, o registro foi feito e o nome pegou. Mas na década de 1970 as outras empresas desmembradas, entre elas a Chevron (nesta lista) e a Amaco, decidiram reclamar sobre o nome à Suprema Corte norte-americana, pois ele remetia à “antiga” Standard Oil. E o nome Esso foi impedido de ser utilizado nos Estados Unidos. Entretanto, no restante do mundo – é o caso do Brasil – o nome se manteve, inclusive a marca comemora o seu centenário no país neste ano. Foi difícil deixar o Esso de lado, mas a companhia precisava pensar em um nome à altura para substituí-lo. Com uma lista de nomes antigos à mão foram feitas exaustivas discussões para tentar encontrar a melhor opção. Todas as escolhas se revelaram infrutíferas, assim como as listas de combinações de letras geradas por computador. Foi depois de uma sessão de “brainstorming” com consultores externos que o nome Exxon veio à tona, em 1972. O que significa? Nada. É uma palavra completamente nova. Já a Mobil, antes chamada de Socony-Vacuum Oil, significa mobilidade, de acordo com o livro “The tyranny of oil” (“A Tirania do Petróleo”, em tradução livre). O casamento entre a Exxon e a Mobil, em 1999, fez com que as empresas mudassem seus registros para o nome de casados. E até hoje vivem felizes.

Chevron (1879)
A Chevron é outra personagem na história da Standard Oil, que detinha o monopólio dos poços de petróleo nos Estados Unidos. Com o desmantelamento, a Standard Oil da Califórnia adotou, em 1931, um novo logo, um chevron (uma insígnia) de três barras nas cores vermelha, branca e azul. Na França do século 19, chevron significava um emblema militar de posto e distinção. Havia dois motivos para o desenho: relacionar os produtos e serviços à qualidade e atrair os olhares dos motoristas que passassem. Mas os executivos à frente da companhia também acharam que o nome Chevron poderia ser forte e começaram a usar a palavra em seus produtos, a começar pelos óleos lubrificantes, em 1937, até chegar à gasolina, em 1945. No Brasil, o nome enfrenta desafios para continuar ostentando a sua imagem de qualidade devido aos significativos vazamentos de óleo no Campo de Frade (Bacia de Santos).

Petrobras (1953)
A empresa brasileira uniu petróleo e Brasil sob o slogan “O Petróleo é Nosso”, levantado pelas correntes nacionalistas que lutaram pelo estabelecimento do monopólio estatal do petróleo, nas décadas de 1940 e 1950. As palavras também estão na sua razão social, Petróleo Brasileiro S.A, empresa de economia mista com controle majoritário da União Federal. Fundada em 1953, a companhia ficou sem uma logomarca até 1958. Foi nesta data que a sua identidade visual nasceu, com a palavra Petrobras ainda com acento. Sim, para quem tem dúvidas sobre como grafar o nome, Petrobras já teve acento. Por se tratar de um acrônimo entre as palavras petróleo e brasileira, a companhia tirou o acento no início da década de 1990. Constatou-se que a exposição cada vez mais ampla do nome da companhia no exterior, decorrente de sua internacionalização, “obrigava” o abandono do acento para a facilidade de leitura e clareza em outros idiomas. Nos postos, os consumidores também podem identificar a marca pela imagem BR, criada pelo designer Aloísio Magalhães. Com o BR, a Petrobras quis criar uma identidade visual que chamasse a atenção do consumidor. Em 1982, ele foi redesenhado pelo designer Rafael Rodrigues e permanece com o mesmo desenho até os dias atuais.

Petrochina (1999)
Ela seguiu o exemplo da Petrobras. Uniu o nome de seu país com a palavra petróleo. Por ser uma estatal, ela também queria transmitir a ideia de defender os interesses econômicos do país. E a maçã ficou maior do que qualquer um poderia imaginar…

ICBC China (1984)
Com os bancos chineses não há muito segredo. Eles costumam ser batizados de acordo com o que fazem. É o caso do ICBC China – Banco Industrial e Comercial da China. Outros exemplos são o Banco da China e o Banco da Agricultura da China. Aliás, o nome do país não pode faltar.

Banco da Construção da China – China Construction Bank (1954)
Seu nome original era Banco Popular de Construção da China. A instituição era dirigida pelo Ministério das Finanças da República Popular da China e tinha a missão de construir projetos governamentais. Mas em 1979, o banco começou a assumir funções de um banco comercial e em 1996, para firmar esse novo foco, mudou seu nome para Banco da Construção da China.

Royal Dutch Shell (1907)
Quem já parou para observar o logotipo da Shell talvez tenha percebido que ele lembra uma concha. E é isso mesmo que ele é. Aliás, shell significa concha em inglês. Em 1833, “Sir” Marcus Samuel, dono de um pequeno antiquário situado no East End Londrino, viu crescer a demanda por conchas (ou shell) utilizadas em objetos de decoração. A procura era tanta que ele foi buscá-las em outros continentes e rapidamente seu negócio se expandiu. Seus filhos passaram a trabalhar com ele e apostaram na venda de querosene do Oriente. Mas quando Marcus Samuel viu os primeiros petroleiros de óleo no Mar Negro, percebeu o grande potencial do segmento. Foi então que decidiu investir no transporte de óleo e a empresa passou a se chamar “Sindicato do Tanque”. Ele não achou tão forte e dediciu, em 1897, voltar ao nome que lhe dera originalmente prosperidade. Mais tarde, com os negócios vulneráveis, a família buscou uma fusão com a Royal Dutch. Assim, em 1907, a joint venture foi formada, possibilitando o nascimento da Royal Dutch Shell ou simplesmente Shell.

BHP Billiton (2001)
A mineradoras BHP e a Billiton se fundiram dando o nome à empresa atual. As histórias das companhias se confundem de tão parecidas. Ambos fundadores decidiram “homenagear” as regiões em que iniciaram suas operações. Quando Charles Rasp trabalhava como pastor de ovelhas na cidade australiana Broken Hill, ele descobriu, em 1883, óxido de estanho na região. Foi então que decidiu criar uma companhia homônima da cidade, a BHP – Broken Hill Proprietary, em 1885 – a cidade ganhou o nome de Broken Hill por reunir uma série de colinas com rupturas. Mais tarde, em 2011, a empresa viria a se fundir com Billiton. A história da Billiton começou em 1860 em uma mina de estanho localizada em uma ilha da Indonésia, chamada Belitung. Na língua inglesa, Belitung quer dizer Billiton, daí o nome para a companhia.

Pessoas criativas mudam-se mais vezes

Dafnis Prieto, baterista e compositor, um dos que receberam o prestigioso Prêmio MacArthur em 2011, saiu de casa para atender a uma escola de música em Santa Clara, Cuba, quando tinha apenas 10 anos. Aos 14, ele foi morar sozinho na capital, Havana. Aos 23, Prieto mudou-se para a Espanha. Um ano depois, para o Canadá. E aos 25, para Nova York.

o-PESSOAS-CRIATIVAS-facebookTalvez o leitor ache o rapaz um talento precoce e só, mas sua história guarda outra particularidade. Estudo recém-divulgado pela própria Fundação MacArthur traz um dado bastante curioso. Os ganhadores do seu prêmio têm pelo menos uma coisa em comum: eles se mudam bastante.

Dos 701 indivíduos nascidos nos Estados Unidos que ganharam o prêmio – uma bolada de US$ 625.000 durante um período de cinco anos -, 79% estavam morando num Estado diferente daquele onde nasceram no momento da premiação. De acordo com dados recentes do censo americano, cerca de 30% da população geral e 42% da população com nível superior mora fora do Estado onde nasceu.

Já cerca de 25% dos ganhadores do MacArthur são como Prieto – nasceram fora dos Estados Unidos. E isso apesar de o prêmio só ser dado para cidadãos americanos. O historiador Anders Winroth nasceu na Suécia e estava dando aula na Yale University em Connecticut quando o ganhou, 2003. O economista Raj Chetty nasceu na Índia, mas trabalhava em Massachusetts quando foi premiado, em 2012. A física Ana Maria Rey nasceu na Colômbia, fez seu doutorado em Maryland e estava morando em Colorado quando recebeu o MacArthur, em 2013.

Esses dados foram publicados num estudo. Sua autora, Cecilia A. Conrad, não chega a estabelecer conclusões entre mudança e criatividade e na verdade questiona quem vem primeiro: “As pessoas supercriativas mudam mais que outras ou é a mudança que torna as pessoas mais criativas?”, indaga no texto.

Prieto acha que a resposta é os dois. “Acho que criatividade está ligada a curiosidade e coragem. Pessoas criativas estão sempre buscando novos caminhos”, diz. “Mas, no meu caso, eu também me mudei para melhorar. Você pode criar algo mágico, mas de que serve isso se você está num lugar onde não há ouvidos ou olhos para apreciar?”

Para neurologista, a criatividade requer que se veja o mundo de diferentes pontos de vista

Kenneth M. Heilman, professor do departamento de neurologia da Universidade da Flórida e especialista em criatividade, concorda. Ele explica que uma das razões por que pessoas criativas mudam mais é porque, para ser criativo, você precisa ver o mundo de diferentes pontos de vista.

Além disso, comenta, as pessoas são mais criativas quando estão relaxadas: “Frequentemente as pessoas mudam de onde estão porque o ambiente onde vivem não é ideal ou propício à criação”.

O estudo da MacArthur também menciona oportunidades econômicas como uma das razões pelas quais as pessoas se mudam. Cientistas tendem a se concentrar perto de universidades e áreas com empresas de tecnologia, por exemplo, como Massachusetts e Califórnia. Artistas tendem a gravitar por Nova York, Los Angeles e San Francisco. “Nova York é um lugar para fazer muitas conexões e conseguir muito trabalho”, confirma Prieto.

Mesmo na cidade de Nova York, Prieto mudou de apartamento cinco vezes. E agora está considerando mudar-se para uma cidade menor, nas redondezas. O estresse de colocar tudo dentro e fora de caixas e de recomeçar em um novo bairro não o assustam. Para Prieto, os altos e baixos da vida ajudam e criam potenciais para a criatividade também.

(Valor Econômico, Caderno de Cultura)